quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Cantam as papoilas

E no canto das papoilas
Uma voz anunciar
A Primavera florida
Novo dia, vai chegar

É tarde! Já sinto fome
Os malmequeres dirão
Vento Norte acordará
Os chicotes tombarão

O grito que não contenho
Esta esperança perdida
Grito ao vento, de onde venho
Minho Verde, loira espiga

Terra que o homem fez
Nas primícias com ternura
Hoje respira aridez
Vai morrendo de secura

Grito ao mar de onde ouço
O balbuciar das ondas
Que incentivam meu pranto!
Vai e caminha, não pares,
A tua voz é precisa

sábado, 11 de julho de 2009

Salvação!

Salvação!



Pés ágeis, rompem a galope.
Madrugadas por descobrir
Vagueio perdida,
Maneia o chicote
Estábulos de areia
Sementes de pão

Lábios que movem
Produtos nas bermas
Céus em glória
Retiro eterno…
…A Salvação

inédito
11/07/2009
Amélia Fernandes

Águas perdidas

Águas perdidas

No turbilhão de águas perdidas
A calmaria levanta a proa
O arco aponta vindimas ceifadas

A corça rompida na escuridão

O trigo, o joio
Plantação…!
Semente de terra, parida ao luar
Silêncio oprime, ondulação…

inédito
11/07/2009

Descampados.

Descampados.

Tremem dias descampados
Desertos de ansiedade
Cólera, abismo, dor e saudade
Sol, noite, lua, luar
Dias eternos, meditação

Flechas desfiguradas
Desencadeiam ventos estranhos
Colinas obliquas, desfiguradas
Ferventes de sangue
Gemem as mãos

inédito
11/07/2009

Senhor!

Senhor!

Senhor! Clamo por Ti…
Na tempestade do meu coração
Há revoltas opostas a mim
Há discórdias de emoção

Flechas de prata rasgam meu ventre
Lanças de fogo cravam meu peito
Cavalos e montes, torrentes de fogo
Inflamam a alma, palavras jorradas
Amplos caminhos…
Calamidade de Verão

inédito
11/ 07/ 2009

Vai Acontecer...!

Como são belos
Sobre as montanhas
Pássaros de felicidade
…esvoaçando…
Gaivotas que rasgam
Pensamentos feridos
Em nuvens de espaço
Em espaços cantando!

Jerusalém, rios, babilónia!
Águas sedentas
Desejos escaldantes
Sementes de paz
Braços gigantes
Erguidos em prece
Elevam-se os montes

Tocam os sinos, é novo dia
Nos confins do Verão
Triunfa o resgate
Nas mãos que partem em agonia
Repartem nações desfeitas em arte

Qual miragem lança o abismo
Senhor, mensageiro…libertação
Barcos perdidos, sentinelas gritantes
Em reinos de esferas, adornado em pão

Peregrinos do além
Castigo humilhado
Israel perdida… precipitação
Chamas ardentes, serpentes e fogo
Desfigurado, aventureiro
Prodígio cantado… em oração!

inédito.
Amélia fernandes

quarta-feira, 3 de junho de 2009

até que um dia, apareceu alguém disposto/a a entrar

bateu à porta, esta, abiu-se devagarinho, muito devagarinho.

entrou e encheu todo o espaço.

A casa ficou mais brilhante, mais quente, cheia de luz.

O sol irradiou para sempre aquele/esse lar, que, daí em diante,

jamais abandonou aquela casa sombria.

Aquele rosto, sorridente, mas triste, passou a sorrir de verdade e, inalmente, soube agradecer à vida pelo espaço em que habita, pelo ar que respira, pela emoção, pelo sonho em que acredita...

hoje, deu para invadir este espaço...